quarta-feira, 26 de agosto de 2009


Filme: O Show de Truman
Denise Corrêa


O tema central deste filme é a filmagem de um reality show sem que o próprio Truman saiba disto. Os acontecimentos não são diferentes de uma novela ou de um reality onde todos sabem que estão sendo filmados, a diferença deste reality é que Truman passa a sua vida toda dentro de uma grande farsa, o público sabe que ele não sabe e daí vem o sucesso do show.
A cidade, as pessoas, os efeitos naturais, tudo é programado por um diretor obsessivo que pega uma criança e a coloca em um mundo manipulado e falso, os patrocinadores são os anúncios que aparecem de pano de fundo e os que os atores falam no ar, o modo de vida de Truman também vira moda, todos assistem ao programa desde as crianças até velhinhas, Truman não está no mundo real, mas o mundo real está com Truman, o poder da imagem deste programa interfere perigosamente na vida de todos de ambos os lados.
Eticamente este reality é extremamente condenável, mas ele é tão cativante que as pessoas relevam este “detalhe”, o sucesso está acima de qualquer outra questão, a mídia do filme coloca a idéia de que Truman é feliz e que o resto não importa, esta ideologia mascara a real situação de enganação involuntária a que Truman está vivendo, vê-se pessoas de bem compactuando com a farsa, somente o diretor do programa é quem esboça uma maldade e um egoísmo evidente.
Podemos associar estas posturas com muitas das nossas diante da telinha, se estamos gostando de uma programação, mas temos a leve suspeita de que ela é prejudicial a alguém, procuramos vê-la, ou engoli-la como se fosse boa, a manipulação se dá neste ponto, voltando ao filme as pessoas só concordam com o final de ver liberto Truman por que o programa conduz para aquele desfecho.
O filme mostra que o poder da mídia pode ser infinito quando se coloca na frente da condição humana o slogan: a realidade é um show, a proposta está sendo honesta, vejam está nova experiência, estamos sob controle da situação, vocês não são cúmplices, o que importa é comprar a sua alegria, aprecie você também o que todos estão gostando, etc...
No filme a mídia massifica uma estória banal que poderia ter sido feita muito melhor com atores, mas o fato de Truman estar inocente sobre esta questão é o que atrai, é o que manipula as pessoas.
Esta trama dá um pouco de medo a respeito da massificação, mentes que não pensam e só sentem podem facilmente ser cooptadas a fazerem o que uma programação deseja, a passividade e o envolvimento com a TV pode se assemelhar a uma droga inebriante e também pode ser uma forma de destruição até mesmo partindo de uma estória é banal como a de Truman que vive uma vida comum e mesmo assim altera o dia a dia de todo o planeta.
Na cidade fictícia de Truman não se vê um aparelho de TV, talvez por isso este show tenha ficado mais atrativo, Truman apresentava uma vida sem este aparato que para nós é insubstituível e ele conseguia ser feliz mesmo sem a telinha, muito curioso...


Programa de humor: Toma lá dá cá
Denise Corrêa

O programa humorístico Toma lá da cá, é destinado a um público adulto, por que á apresentado num horário noturno avançado em torno das 23hs. Os temas são as artimanhas e confusões que duas famílias que são vizinhas em um andar de um prédio chamado Jambalaia se envolvem, estas duas famílias tem os seus membros misturados, os casais atuais já foram casados,mas convivem muito bem morando perto.
Este tipo de humor envolvendo um edifício e várias confusões já foi um antigo tema de um programa que se chamava: Balança mais não cai.
A apresentação é como se os acontecimentos estivessem em um palco de teatro, portanto a linguagem de aparição das cenas é de linguagem teatral, o cenário é sempre o mesmo, os atores é que movimentam a cena, lembrando o antigo programa Família Trapo que foi exibido no início das TV brasileira, este tipo de programa humorístico comporta um público como foi no programa Sai de Baixo.
Os temas são as enrascadas que os personagens se metem, é um besteirol, estes conflitos são supérfluos, mas com uma grande dose de humor e criatividade assim os personagens se interagem de forma que todos têm uma conduta suspeita, ninguém tem caráter sério, todos enganam e são enganados, como o próprio nome diz é toma lá dá cá, tudo tem uma cobrança, o dinheiro é muito valorizado, todos tem um lado corruptível quando a palavra é “grana”.
Todos os personagens são caricatos e reforçam estereótipos como “Sapatão”, “Pobre”, “Esta menina é mau caráter”, sem esquecer do bordão de Copélia: Prefiro não comentar, frase que ela coloca bem no final das situações quando está sem saída para as suas confusões e peripécias sexuais, esta frase já faz parte do vocabulário das pessoas, já a ouvi muitas vezes.
O conceito de que se deve passar a perna em qualquer um para conseguir vantagens está subtendido em quase todo o programa, a empregada de Pato Branco é sempre colocada como uma semi escrava e ignorante, os filhos sempre problemáticos e meio débeis, a síndica é corrupta e não se envergonha disto, os casais apesar se apresentarem como apaixonados, não pensam duas vezes em agir pelas costas um do outro. Trata-se de um aglomerado de estereótipos que untos são engraçados e mexem muito como o nosso temperamento brasileiro de resolver tudo da forma mais fácil e proveitosa possível, o nunca dar sem receber de volta.
As propagandas estão direcionadas para um público adulto e dito sério, este programa é apresentado logo após o Casseta e Planeta Urgente, é a dobradinha de Humor de TV globo, nos moldes de um programa de humor moderno com um no estilo antigo esta dupla de programas faz sucesso por que tem muita brasilidade neles, é o lado jocoso do nosso atual Brasil, mostrando que velhas fórmulas e atuais temas conseguem audiência, e patrocinadores.

domingo, 23 de agosto de 2009

Caminho das Índias

ASSISTINDO NOVELAS - Caminho das Índias
Denise Corrêa



Esta novela (2009) é exibida pela Rede Globo de Televisão tem início às 21hs terminando por volta das 22hs de segunda até sábado infalivelmente.
Ela é uma novela que possui no seu enredo vários núcleos de estórias que ao longo da trama vão se ligando, mas o tema principal é o velho amor impossível.
O espaço físico se passa na Índia e no Brasil, trata-se de dois casais que são separados para atenderem as tradições indianas onde o casamento deve seguir as tradições das castas para garantir a sobrevivência dos costumes.
A Autora é criativa por que ela com uma mesma personagem a Maia, ela mostra dois lados do amor, o da paixão quando Maia perde a noção do perigo e se entrega a um “dalit’, que é uma pessoa sem casta, e depois o amor que ela constrói ao lado do marido arranjado, o público fica preso neste dilema de Maia, e todos torcem pela felicidade dela que a cada capítulo parece mais distante.
Toda a força da emoção deste personagem Maia causa no público uma grande inquietação, por que se ela retornar para a paixão, as incertezas serão muitas, a sua ligação com o marido já é muito forte grandes perdas ocorrerão por que ela já esta submissa as tradições indianas. Esta semana Maia foi descoberta por sua maior inimiga (a cunhada) e está desesperada, o público se envolve e fica esperando que atitude Maia terá para conseguir controlar a situação a seu favor, o cerco está se fechando e a personagem está espremida entre emoções negativas.
Existem vários núcleos e sub-núcleos dentro da novela, existe o pesado que é o drama de Maia, existe o leve engraçado que é a turma dos indianos que moram no Rio de Janeiro, estes personagens dão um toque de humor que alivia o peso da tensão do tema principal, mesmo tratando do tema traição Norminha e Abel, o tema se torna engraçado por que os personagens são caricatos e exagerados, sem contar com o falso indiano guru que brinca com a ingenuidade dos brasileiros nas suas curas e mantras. Existe também o grupo rico, onde tudo só existe pelo dinheiro e para dinheiro, Melissa é a personagem que representa toda a manutenção de aparência que o mundo capitalista precisa para sobreviver, até nega a doença do filho em nome da sua aparência social.
A autora como é de sua característica mostrar algum problema social importante, trabalha nesta novela com patologias psiquiátricas principalmente a esquizofrenia e a psicopatia, através do médico psiquiatra a autora descreve estes problemas sob o ângulo de medicina, como eles são como estas pessoas agem, o que é melhor fazer quando um caso deste aparece na família, etc. A autora presta um serviço de esclarecimentos e de orientações para o público sobre estes casos de doença da personalidade mostrando com atores muito preparados como é que estas doenças se manifestam.
Todos os conceitos como justiça, amor, diversidades culturais são mostrados sob vários aspectos, provocando no espectador uma reflexão a respeito destes pontos de vista, daí a grande audiência. O espectador participa de variados estados de amor e paixão, dinheiro e aparência, pobre feliz e rico infeliz, e principalmente o que é bom e o que é ruim na cultura tradicional indiana e na brasileira.
No geral todos estes núcleos têm uma aparência bonita, a novela é bela as cenas mostradas da Índia são paisagens e pessoas coloridas e felizes, no Brasil também existe uma preocupação em mostrar todos os personagens bem vestido, maquiados e com corpos esculturais, o feio visualmente não faz parte da trama.
Esta trama tem influenciado muito o dia a dia das pessoas, a audiência é muito grande algumas expressões indianas como “tic” já está sendo comum ouvir, o gesto do cumprimento com as mãos fechadas também as pessoas fazem, roupas e bijuterias da índia existem por todas as lojas da cidade, a maquilagem pesada nos olhos das mulheres também. É muito comum querer se parecer com as beldades da telinha.
As propagandas são divididas entre as da programação da emissora com produtos de grandes firmas de comércio, tudo neste horário é muito caro e somente as grandes indústrias tem este poder aquisitivo, estas propagandas às vezes só citam o nome da firma sem imagens, mostrando que é direcionada para um público que é adulto e que já conhece, por exemplo, a chamada de um supermercado. Existem também neste horário as propagandas de partidos políticos que são muito bem feitas como se fosse uma estória, os partidos se utilizam deste horário por que sabem que os adultos estão ligados na novela.
Se eu fosse escrevê-la diminuiria os personagens, tem alguns que sobram na trama, fazem quase que um pano de fundo e são atores bons que são desperdiçados, enfim eu tiraria um pouco dos indianos, as professoras que apesar de terem começado com boas idéias se perderam no caminho.


O Quarto Poder e Além do cidadão Kane

O Quarto Poder e Além do Cidadão Kane
Denise Corrêa


O filme O Quarto Poder, nos mostra que além dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, outro quarto poder existe na informalidade, mas com um poder extremamente abrangente, é o poder da informação, das imagens, da tela, da máquina e principalmente da manipulação de interesses.
A primeira tomada é genial e resume com apenas algumas tomadas o poder que está por de trás de uma filmadora: A cena se inicia com a repórter montando uma filmadora para ir trabalhar, mas a sequência desta montagem mais parece a montagem de uma metralhadora na mão de um terrorista, somente depois de montada é que você terá a noção de que se trata de uma filmadora e não de uma metralhadora. Estas tomadas são a grande idéia do filme por que apesar de ser uma filmadora ela irá fazer o papel de uma metralhadora durante a trama.
Um repórter (Max) pra lá de sensacionalista participa por acaso de um episódio onde Sam um homem desesperado por ter perdido o emprego atira por acidente no seu ex- colega de trabalho, Max direciona tudo como se fosse um seqüestro premeditado e coloca a cena como se fosse uma representação teatral, na verdade ele está em busca de uma popularidade que já perdeu na mídia, vê neste possível seqüestro a sua volta triunfante nos meios televisivos.
Sam por sua vez é uma pessoa limitada na sua percepção e o fato de ter perdido o emprego o deixou sem estrutura para discernir o que estava acontecendo e se submete as ordens de Max ainda na ilusão de obter o emprego de volta.
Com o decorrer da tensão a situação se torna sem controle, Max não sabe o que fazer com o monstro que criou e também, os seus colegas repórteres começam a invadir a sua “conquista” e tudo começa a se quebrar, Sam que está sem dormir por que toma pílulas está visivelmente sem controle da sua realidade ele não sabe mais o que realmente quer e o que o mundo pensa dele, cada vez que assiste a TV o público se mostra de uma forma, às vezes simpatizando e às vezes odiando o que ele fez.
Os interesses da Emissora é que a reportagem dê ibope não existe uma preocupação de saber até que ponto a interferência das gravações ao vivo são reais, elas são modificadas para que os repórteres tenham projeção, é o grande filão da emissora. O povo acompanha como se fosse uma telenovela, vão para frente do museu e acampam todos querendo fazer parte da história, todos querendo notoriedade, todos querendo aparecer a qualquer custo através de depoimentos, etc.
A mídia foi praticamente responsável por atribuir papéis ao Max e ao Sam, no final parece que tudo que sobrou deles foi nada, o drama pessoal de cada um se mistura com as imagens e torna tudo muito intenso, mas passageiro.
A morte de Sam é prevista pelo espectador desde o início, a força de O Quarto Poder é tão grande que Sam já está estilhaçado mesmo antes da dinamite, a morte final nada mais é do que a concretização do que a mídia já havia feito e queria que este fim fosse concretizado para que assim a sua “novela” tivesse o final programado dando a emissora credibilidade.
Quando Max grita para todos: nós matamos Sam, ele só é compreendido para ele (Max) e para nós que assistimos a trama, as pessoas que estão lá estão acreditando na versão da TV, Max também é estilhaçado neste raro momento de lucidez.

Existem no nosso dia a dia vários Maxs e vários Sans, a nossa grande tarefa como telespectadores é a de procurarmos sempre apesar de na ser fácil discernir o que nos é passado pela mídia principalmente a televisiva, por que ela trabalha co elementos que seduzem muito, o som, o jogo de imagens e as falas do ditos repórteres confiáveis, é muito comum se ver pessoas que são consideradas ídolos morrerem muito cedo meio que sem explicação, estes artistas morrem cedo por que não conseguem se livrar do poder do mito que a mídia lhe impôs, Michael Jacson que é um exemplo mais recente abusou dos remédios como se o seu corpo de semi-deus que a mídia proclamou estivesse acima destas coisas do meros mortais, não foi diferente com Elvis, Elis Regina, Garrincha, etc. Poucos como Edson Arantes do Nascimento souberam diferenciar o homem do personagem Pelé.
Este filme é a mídia do cinema mostrando o lado B desta mesma mídia, é acima de tudo uma autocrítica que ao mesmo tempo apresenta uma estória de si mesma veiculada por um filme, este filme estaria redimindo o poder de ser das imagens mostrando ao espectador que se pode dentro da mídia ser uma critico da mídia.



Além do cidadão Kane:

Este documentário feito por americanos faz como no O Quarto Poder, é uma demonstração de que tudo que se vê parece, mas pode não ser. A TV Globo é colocada como a emissora que o filme mostra, com interesse principalmente de sobrevivência dentro do Brasil, por isso ela se tornou excessivamente governista, ou seja, sem partido político, o seu partido é o da situação.
Esta situação governista começa desde a pré candidatura de um político, a TV Globo já desde o início das campanhas das eleições procura direcionar para qual candidato seria melhor uma vitória, e também teve influência na derrubada de Fernando Collor, mostrando assim que a “arma” TV é poderosa tanto para construir como para destruir.
Este documentário já tem mais de dez anos e a TV Globo ainda continua no poder televisivo do Brasil, ainda é governista e ainda é a que tem mais audiência, diversificou a sua programação, mas no fundo a sua sobrevivência esta em continuar sendo governista.
Este bastidor nos demonstra que este Quarto Poder na prática e informalmente está acima dos outros três, fazendo julgamentos, leis, e principalmente executando as ações que somente lhe dão privilégios.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009



A ROTINA DA TV BRASILEIRA (NOVELAS):

O Casamento dos personagens é um dos grandes temas que as novelas usam para conseguir prender a atenção do espectadores, esta cena é uma releitura onde somente o casal se casando aparece em evidência, mesmo assim a idéia permanece intacta em relação a imagem original.