O sub-tema “organismo vivo”, trata-se da fusão da orquestra e do público perante a música, estão presentes o repertório, os intérpretes e os ouvintes.
Existem basicamente duas linhas de atuação da ORQUESTRA, uma é a atitude de ir até um público determinado, e a outra atitude é a de convidar o público para vir até a ORQUESTRA, em ambas as situações a ORQUESTRA continua com o dever de ser um “organismo vivo”.
Trocando em miúdos, quando a ORQUESTRA vai ao público:
O PÚBLICO DAS ESCOLAS:
É um público cheio de energia e curioso, eles gostam de músicas fortes onde o ritmo aparece bem marcado, se impressionam muito com o naipe de percussão, observam os músicos nos mínimos detalhes, gostam de pegar os instrumentos e nos tratam como se fossemos artistas da TV, todos nós neste dia nos sentimos como celebridades. A ORQUESTRA tem neste público altamente pulsante além da apresentação musical, uma oportunidade para fazer um concerto informativo onde são mostrados os instrumentos musicais e feitos comentários sobre as músicas e os seus compositores, nestas apresentações a dinâmica do entretenimento e dos esclarecimentos é breve para não dispersar os ouvintes, não nos esqueçamos de que a música por si só representa e diz muito.
O público infantil contagia-se com a música de imediato, determinadas passagens musicais como a abertura da Ópera Carmem, faz as crianças baterem palmas com euforia, demonstrando que se sabendo escolher o repertório ele pode variar desde o simples até o complexo.
O grande “organismo” acontece no sentido da descoberta e da admiração de quem está vendo pela 1ª vez um instrumento musical emitir uma música, saímos destas apresentações remoçados, é uma boa oportunidade para convidar estes jovens ao estudo de algum instrumento musical.
O PÚBLICO DOS HOSPITAIS:
É um público altamente introspectivo, a música é sentida em cada detalhe, a situação pessoal de saúde torna estes ouvintes pessoas que através do som, se transportam para situações do passado de onde trazem boas recordações, não são curiosos a respeito dos instrumentos ou autores das músicas, estão muito compenetrados na música em si, talvez sejam estes os nossos maiores ouvintes (na concepção exata da palavra).
O repertório mais apreciado é o do nosso cancioneiro popular, aquelas canções românticas que geralmente vem acompanhada da letra, é muito comum pessoas com dificuldades saírem de seus leitos para irem ver a orquestra de perto.
Para nós músicos o retorno destas apresentações é bastante subjetivo, nos comovemos com olhares e agradecimentos que notoriamente saem do fundo do coração destas pessoas, cada música tocada tem um valor extremamente grande e aquele momento da nossa presença é único e especial. É o grande “organismo” mostrando vida para quem só está vislumbrando muitas vezes a morte dentro da rotina de um hospital. Não podemos nos esquecer do grande envolvimento que os funcionários do hospital demonstram também tem em tudo isto, eles são os grandes incentivadores e ouvintes que estão sempre nos convidando para apresentações.
O PÚBLICO IDOSO:
Quando vamos a estes locais somos recebidos como um membro da família, temos a sensação de que estamos na sala da casa da nossa avó ou mãe, o tratamento é extremamente carinhoso, nos é servido café, suco, bolo e muito bate papo.
Estes ouvintes estão abertos a qualquer tipo de música, dá para sentir no ar uma confiança de que o concerto será ótimo de qualquer forma, procuramos escolher um repertório que tem algumas peças eruditas curtas, mas a maioria seguindo a linha popular de canções brasileiras e de temas de filmes famosos. Tudo vira uma apoteose, com direito a dança e comentários dos ouvintes entre uma música e outra. A ORQUESTRA se apresenta como um “organismo vivo” onde a nossa simples presença já está valorizando o sentido de vida destas pessoas que às vezes estão muito só nas suas casas e tem este espaço para dar luz a sua extensa vida, são homenagens as pessoas que tem muito para nos contar. Em um concerto tivemos o prazer de conhecer um senhor de 105 anos que muito se emocionou com a nossa música, a auto-estima de todos neste dia notoriamente engrandece.
Quando o público vai até a ORQUESTRA:
As situações básicas são: Concerto de datas comemorativas como dia das mães, namorados, natal e participação em eventos públicos ou privados.
Nestes tipos de concerto o repertório é escolhido de acordo com a temática do evento, a ORQUESTRA tem o dever de abrilhantar e dar glamour ao evento. No natal, por exemplo, as músicas sacras são mescladas com as eruditas e populares para que a apresentação se torne um encerramento grandioso feito poucos dias antes do natal, não esquecendo que se trata de um público heterogêneo e rotativo que está presente na praça. Quando for a participação da ORQUESTRA dentro de algum outro evento, a idéia é a de amarrar a temática do evento ao repertório escolhido de forma que o todo não fique fragmentado, um exemplo: Quando apresentamos músicas que falavam do Rio Grande já que o evento era direcionado para a questão da poluição do Rio, foi um sucesso a orquestra mostrou o lado emotivo da relação do homem com as delícias do Rio, dando um sentido aos textos que foram comentados.
O CONCERTO OFICIAL:
É concerto onde o repertório erudito estará mais evidenciado do que o popular, o público estará informado pela imprensa sobre o repertório, este é o momento onde a ORQUESTRA apresentará um repertório com uma identidade nacional e internacional em repertório sinfônico, seria a forma de levar ao público uma atualização da música erudita que está acontecendo no momento no mundo, seria o “organismo” além do regionalismo, transportando as pessoas para as emoções dos grandes compositores da música mundialmente conhecida.
CONCERTOS NA REGIÃO DE BARRETOS:
Aqui na região de Barretos a nossa ORQUESTRA é a única que tem todas as condições para levar para as cidades próximas ou até nem tão próximas, uma música de boa qualidade, as orquestras dos grandes centros não incluem em suas agendas estes tipos de eventos em cidades de pequeno ou médio porte temos, portanto um público a nossa espera em toda esta nossa região, poderemos levar o nome de Barretos positivamente para todas elas através da ORQUESTRA.
Em todos os concertos que fizemos fora de Barretos fomos muito bem recebidos, o público destas cidades estão sempre aguardando o nosso retorno, é o “organismo vivo” ampliando as fronteiras do município.
CONCLUSÃO FINAL:
Devemos nos orgulhar de termos em Barretos uma ORQUESTRA, ela atua e pode estender muito mais a sua atuação, vamos levar em consideração que no mundo atual estão acontecendo movimentos para se dinamizar as orquestras, muitos dos dirigentes estão percebendo que esta instituição é um importante veículo de emoções, idéias e atitudes que faz através da música o engrandecimento da pessoa e da sua coletividade (diferenciando-se da música difundida pela tecnologia eletrônica), transformando-se assim como foi dito em um “organismo vivo” necessário a todos.
domingo, 17 de maio de 2009
Termos significativos sobre o ensino de artes, desde as Academias até a definição de Cultura Visual.
A Academia:
O termo academia existe desde a Grécia antiga e desde então também está interligado á situação de ensinar ou passar conhecimento a outrem. Na Renascença o termo passou a designar uma associação de sábios e literatos eruditos que tinham a pretensão de emancipar os artistas que eram reféns das guildas, procuravam então fazer uma distinção entre o artesão e o artista, esta classe teria uma conotação erudita frente à obra artística, os princípios, portanto eram rígidos para que nestes termos só ficassem os que realmente fossem bons.
A iniciativa era particular feita por nobres que valorizavam a arte como um diferencial em relação ao homem comum, Lorenzo de Médici (1474) foi o grande mecenas, estudavam concomitantemente com as artes (pintura, escultura e arquitetura) filosofia. Michelangelo foi um grande nome da época que esteve com os Médicis durante o seu aprendizado como artista. Esta academia chamava–se Academia Platônica que apoiava tanto a produção quanto a educação dos artistas.
Forma de trabalhar: Um professor era o responsável por um grupo de alunos, eles estudavam as disciplinas teóricas e trabalhavam nos ateliês fazendo as obras de arte.
Com o aparecimento das academias: Academia Del Disegno (1561) e a Academia de San Luca (1593), o formato Academia irá perdurar por três séculos, por que elas se tornaram ponto de referência para toda a produção artística, a Del Disegno foi considerada um avanço para a sistematização do ensino de artes, dela saiam desde quadros até projetos de monumentos e edifícios, a San Luca considerou as questões educacionais num plano bastante relevante vindo a ser uma referência para o ensino, promovia palestras e conferências onde se debatiam teorias artísticas e que eram publicadas e colocadas a disposição do público. A estética da Academia era baseada nos modelos clássicos gregos e nos mestres renascentista. As academias foram socialmente a instituição que mais deu status ao artista, dentro de uma academia se obtinha ascensão social e material.
O Classicismo:
Foi o período dominado pelo absolutismo do rei francês Luís XIV, Academia de Paris (1648), tinha uma política centralizadora e autoritária, o Estado regulamentava tudo e esta Academia tinha códigos estéticos como se fosse um órgão militar, ela era também policiada e vigiada, a arte era um aparato de subserviência do rei, não se permitiu mais o mecenato privado, o artista consequentemente ficava distante do público e privado de ter iniciativas sobre os seus trabalhos.
Academia de Roma, feita nos moldes da francesa, porém com uma liberdade maior.
Ambas valorizam esteticamente muito mais o desenho do que a cor, o classicismo grego e o maneirismo (pintar aos moldes de um pintor renascentista), também faziam conferências sobre temas artísticos.
Para quem fosse fazer a Academia existia uma hierarquia de estudos sobre os temas: Primeiro faziam-se estudos sobre natureza morta e paisagens eram os temas considerados inferiores, depois estudavam os animais e as formas humanas e por fim os temas que eram considerados nobres que eram as representações históricas e mitológicas.
Com a revolução francesa as academias foram substituídas pela estética neoclássica, que é uma estética que procura reviver o estilo Greco-Romano, no lugar da Academia surge a Commune des Arts, Clube Revolucionário das Artes e Sociedade Popular e Republicana das Artes que segue o ideal revolucionário de serem associações livres e democráticas onde os artistas não tinham privilégios.
A revolução foi o primeiro baque no sistema de funcionamento das academias, posteriormente no final do século XIX e início do século XX, com as variadas correntes artísticas e independência do poder estatal as academias foram consideradas sinônimo de antiquado, apesar disto a sua estrutura perdura até os dias de hoje.
Com a expansão do ensino de artes no início do séc. XX foram muitas as designações que se associaram ao ensino de artes no Brasil, a saber:
BELAS ARTES:
O conceito:
Estudo das artes consideradas superiores: Pintura, Escultura e Desenho, assim o artista era diferenciado socialmente das demais pessoas.
O termo foi instituído com a chegada da missão artística francesa no Brasil, a função da arte é a de apenas retratar o belo, somente é considerado Belas Artes o estudo estético da arte acadêmica, é um resquício da Academia francesa e do neoclassicismo, são consideradas artes menores as artes aplicadas, a cerâmica e a gravura.
ARTES PLÁSTICAS:
O conceito:
É a relatividade que um material físico tem com a sua forma e o seu conceito.
Com a estética do modernismo onde o belo se tornou uma questão relativa e não uma questão fundamental, estes movimentos modernos do início do século XX, definiram o termo artes plásticas entendendo a arte como uma estética dos sentidos, é também uma forma de negar o academicismo que as belas artes ainda perpetuavam. A intenção era a de que o ensino de artes deveria seguir as constantes evoluções que os estilos artísticos estavam passando, eram consideradas artes plásticas: Performances, arte conceitual, happenings, instalações e qualquer outra expressão artística contemporânea. Em meados do Século XX as nomenclaturas mais usadas eram licenciatura em artes plásticas e bacharelado em artes plásticas.
ARTES VISUAIS:
O conceito:
Engloba a psicologia, história, estética e semiologia (estudo dos sinais).
Considera tudo desde a Grécia, Academias, Belas Artes, Artes Plásticas até a construção da imagem digital da tela de TV e computadores. A visão é o centro de tudo a nossa forma de perceber esteticamente o mundo passa pela relatividade da imagem, engloba todas as artes da história considerando também o design, o cinema e a tecnologia. O termo surgiu nos EUA
CULTURA VISUAL:
O conceito:
Engloba: Educação, Sociologia, Antropologia e geografia.
A cultura visual valoriza muito os artefatos como forma de entendimento sobre a cultura que o produziu, no mundo atual a produção de imagens são de grande importância para a cultura, os alunos devem ter uma visão cultural de como estas imagens acontecem e aonde elas atuam dentro da cultura e como eles devem se situar dentro destas vastas informações visuais.
Estes termos BELAS ARTES, ARTES PLÁSTICAS, ARTES VISUAIS E CULTURA VISUAL coexistem na nossa sociedade de ensino de artes, cada um tem uma ênfase diferente, porém todos ainda estão em busca de se adaptarem a realidade da educação brasileira, o termo Artes Visuais é atualmente a tendência mais escolhida para se designar um ensino de artes, existe uma busca para que o termo escolhido não se engesse como aconteceu com o termo Academia e se torne um empecilho para o desenvolvimento da educação voltada para as artes.
O termo academia existe desde a Grécia antiga e desde então também está interligado á situação de ensinar ou passar conhecimento a outrem. Na Renascença o termo passou a designar uma associação de sábios e literatos eruditos que tinham a pretensão de emancipar os artistas que eram reféns das guildas, procuravam então fazer uma distinção entre o artesão e o artista, esta classe teria uma conotação erudita frente à obra artística, os princípios, portanto eram rígidos para que nestes termos só ficassem os que realmente fossem bons.
A iniciativa era particular feita por nobres que valorizavam a arte como um diferencial em relação ao homem comum, Lorenzo de Médici (1474) foi o grande mecenas, estudavam concomitantemente com as artes (pintura, escultura e arquitetura) filosofia. Michelangelo foi um grande nome da época que esteve com os Médicis durante o seu aprendizado como artista. Esta academia chamava–se Academia Platônica que apoiava tanto a produção quanto a educação dos artistas.
Forma de trabalhar: Um professor era o responsável por um grupo de alunos, eles estudavam as disciplinas teóricas e trabalhavam nos ateliês fazendo as obras de arte.
Com o aparecimento das academias: Academia Del Disegno (1561) e a Academia de San Luca (1593), o formato Academia irá perdurar por três séculos, por que elas se tornaram ponto de referência para toda a produção artística, a Del Disegno foi considerada um avanço para a sistematização do ensino de artes, dela saiam desde quadros até projetos de monumentos e edifícios, a San Luca considerou as questões educacionais num plano bastante relevante vindo a ser uma referência para o ensino, promovia palestras e conferências onde se debatiam teorias artísticas e que eram publicadas e colocadas a disposição do público. A estética da Academia era baseada nos modelos clássicos gregos e nos mestres renascentista. As academias foram socialmente a instituição que mais deu status ao artista, dentro de uma academia se obtinha ascensão social e material.
O Classicismo:
Foi o período dominado pelo absolutismo do rei francês Luís XIV, Academia de Paris (1648), tinha uma política centralizadora e autoritária, o Estado regulamentava tudo e esta Academia tinha códigos estéticos como se fosse um órgão militar, ela era também policiada e vigiada, a arte era um aparato de subserviência do rei, não se permitiu mais o mecenato privado, o artista consequentemente ficava distante do público e privado de ter iniciativas sobre os seus trabalhos.
Academia de Roma, feita nos moldes da francesa, porém com uma liberdade maior.
Ambas valorizam esteticamente muito mais o desenho do que a cor, o classicismo grego e o maneirismo (pintar aos moldes de um pintor renascentista), também faziam conferências sobre temas artísticos.
Para quem fosse fazer a Academia existia uma hierarquia de estudos sobre os temas: Primeiro faziam-se estudos sobre natureza morta e paisagens eram os temas considerados inferiores, depois estudavam os animais e as formas humanas e por fim os temas que eram considerados nobres que eram as representações históricas e mitológicas.
Com a revolução francesa as academias foram substituídas pela estética neoclássica, que é uma estética que procura reviver o estilo Greco-Romano, no lugar da Academia surge a Commune des Arts, Clube Revolucionário das Artes e Sociedade Popular e Republicana das Artes que segue o ideal revolucionário de serem associações livres e democráticas onde os artistas não tinham privilégios.
A revolução foi o primeiro baque no sistema de funcionamento das academias, posteriormente no final do século XIX e início do século XX, com as variadas correntes artísticas e independência do poder estatal as academias foram consideradas sinônimo de antiquado, apesar disto a sua estrutura perdura até os dias de hoje.
Com a expansão do ensino de artes no início do séc. XX foram muitas as designações que se associaram ao ensino de artes no Brasil, a saber:
BELAS ARTES:
O conceito:
Estudo das artes consideradas superiores: Pintura, Escultura e Desenho, assim o artista era diferenciado socialmente das demais pessoas.
O termo foi instituído com a chegada da missão artística francesa no Brasil, a função da arte é a de apenas retratar o belo, somente é considerado Belas Artes o estudo estético da arte acadêmica, é um resquício da Academia francesa e do neoclassicismo, são consideradas artes menores as artes aplicadas, a cerâmica e a gravura.
ARTES PLÁSTICAS:
O conceito:
É a relatividade que um material físico tem com a sua forma e o seu conceito.
Com a estética do modernismo onde o belo se tornou uma questão relativa e não uma questão fundamental, estes movimentos modernos do início do século XX, definiram o termo artes plásticas entendendo a arte como uma estética dos sentidos, é também uma forma de negar o academicismo que as belas artes ainda perpetuavam. A intenção era a de que o ensino de artes deveria seguir as constantes evoluções que os estilos artísticos estavam passando, eram consideradas artes plásticas: Performances, arte conceitual, happenings, instalações e qualquer outra expressão artística contemporânea. Em meados do Século XX as nomenclaturas mais usadas eram licenciatura em artes plásticas e bacharelado em artes plásticas.
ARTES VISUAIS:
O conceito:
Engloba a psicologia, história, estética e semiologia (estudo dos sinais).
Considera tudo desde a Grécia, Academias, Belas Artes, Artes Plásticas até a construção da imagem digital da tela de TV e computadores. A visão é o centro de tudo a nossa forma de perceber esteticamente o mundo passa pela relatividade da imagem, engloba todas as artes da história considerando também o design, o cinema e a tecnologia. O termo surgiu nos EUA
CULTURA VISUAL:
O conceito:
Engloba: Educação, Sociologia, Antropologia e geografia.
A cultura visual valoriza muito os artefatos como forma de entendimento sobre a cultura que o produziu, no mundo atual a produção de imagens são de grande importância para a cultura, os alunos devem ter uma visão cultural de como estas imagens acontecem e aonde elas atuam dentro da cultura e como eles devem se situar dentro destas vastas informações visuais.
Estes termos BELAS ARTES, ARTES PLÁSTICAS, ARTES VISUAIS E CULTURA VISUAL coexistem na nossa sociedade de ensino de artes, cada um tem uma ênfase diferente, porém todos ainda estão em busca de se adaptarem a realidade da educação brasileira, o termo Artes Visuais é atualmente a tendência mais escolhida para se designar um ensino de artes, existe uma busca para que o termo escolhido não se engesse como aconteceu com o termo Academia e se torne um empecilho para o desenvolvimento da educação voltada para as artes.
Grotowski e o teatro
As propostas de Grotowski
Grotowski foi um polonês que pertenceu ao período 1933 até 1999, viveu guerras, misérias e o começo do advento televisivo como forma de entretenimento, sua vida foi marcada por grandes mudanças sociais radicais, participou intensamente todas elas e as questionou através do teatro, nos anos 50 foi o seu período de maior produção teatral onde colocou os seus pontos de vista sobre a encenação e questionou a forma de representação acima de tudo, não tinha a pretensão de formar uma escola com regras e soluções, mas sim propor uma eterna busca para o ator principalmente, após este período nos anos 70 se afasta do teatro para fazer experimentações fora dele.
A sua principal proposta era a de questionar a relação entre o ator e o espectador, ao contrário do advento da TV que se apresentava com um enorme aparato de recursos, Grotowski propôs o Teatro pobre como uma forma de enxugar o visual deixando apenas o ator e o espectador diretamente envolvidos na cena, ele acreditava que o ator podia transformar o gesto em ação sem ter que usar de artifícios para auxiliá-lo, o caminho do artifício como, por exemplo, a música poderia ser uma forma de conclusão emotiva para do gesto substituindo a ação do ator, por isso a necessidade de se tirar todo o aparato.
Para conseguir que um ator chegasse a este ponto Grotowski fez o Teatro Laboratório, esta era uma forma do ator passar por um processo que o levaria a ter um amadurecimento para assim fazer o “teatro pobre” fora dos moldes conhecidos, este preparo era essencial para que esta nova estética pudesse acontecer. O teatro pobre na sua concepção só atingia as elites de pessoas que se dispuseram a fazê-lo, ele não era um teatro de fácil assimilação e entendimento, os próprios atores passavam no laboratório por situações que os conduziam a visualizar os clichês pessoais de interpretações antigas, treinavam o desprendimento da verbalização e principalmente treinavam a sinceridade entre o gesto e a ação. Acima de tudo a atuação deveria ser vista como um caminho para a descoberta da vida pela encenação e não uma imitação da realidade, o teatro é a extensão da realidade e não apenas um momento de espetáculo.
O que Grotowski, pois à prova:
A eliminação dos figurinos, dos cenários, da música, dos efeitos de luz e até do texto, o único que não poderia ser eliminado seria o ator e a platéia. Posteriormente ele questionou também a platéia, procurando colocá-la sob outro ponto de vista, como sendo uma coadjuvante atuante na cena e não uma representação meramente passiva.
Grotowski estabeleceu com as suas pesquisas dois teatros que estão em pontos opostos, um é o teatro que usa a arte como “Representação” e o outro teatro que usa a arte como “Veículo”, estes duas estéticas são pertencentes à mesma família que é a arte teatral, o transito entre e estes opostos estão na busca e na pesquisa da verdade de cada um.
Grotowski através desta nova forma de observar e de fazer a atuação como uma extensão da própria vida humana, estendeu o teatro para outros campos como a psicologia, psiquiatria e pedagogia. Estes profissionais aprenderam a arte de observar a diferença entre a ação e o gesto, ou seja, a dissimulação e a verdade interior de cada um, foi esta a grande proposta que Grotowski conseguiu perpetuar no século XX, este é o legado do “Teatro Pobre”.
Grotowski foi um polonês que pertenceu ao período 1933 até 1999, viveu guerras, misérias e o começo do advento televisivo como forma de entretenimento, sua vida foi marcada por grandes mudanças sociais radicais, participou intensamente todas elas e as questionou através do teatro, nos anos 50 foi o seu período de maior produção teatral onde colocou os seus pontos de vista sobre a encenação e questionou a forma de representação acima de tudo, não tinha a pretensão de formar uma escola com regras e soluções, mas sim propor uma eterna busca para o ator principalmente, após este período nos anos 70 se afasta do teatro para fazer experimentações fora dele.
A sua principal proposta era a de questionar a relação entre o ator e o espectador, ao contrário do advento da TV que se apresentava com um enorme aparato de recursos, Grotowski propôs o Teatro pobre como uma forma de enxugar o visual deixando apenas o ator e o espectador diretamente envolvidos na cena, ele acreditava que o ator podia transformar o gesto em ação sem ter que usar de artifícios para auxiliá-lo, o caminho do artifício como, por exemplo, a música poderia ser uma forma de conclusão emotiva para do gesto substituindo a ação do ator, por isso a necessidade de se tirar todo o aparato.
Para conseguir que um ator chegasse a este ponto Grotowski fez o Teatro Laboratório, esta era uma forma do ator passar por um processo que o levaria a ter um amadurecimento para assim fazer o “teatro pobre” fora dos moldes conhecidos, este preparo era essencial para que esta nova estética pudesse acontecer. O teatro pobre na sua concepção só atingia as elites de pessoas que se dispuseram a fazê-lo, ele não era um teatro de fácil assimilação e entendimento, os próprios atores passavam no laboratório por situações que os conduziam a visualizar os clichês pessoais de interpretações antigas, treinavam o desprendimento da verbalização e principalmente treinavam a sinceridade entre o gesto e a ação. Acima de tudo a atuação deveria ser vista como um caminho para a descoberta da vida pela encenação e não uma imitação da realidade, o teatro é a extensão da realidade e não apenas um momento de espetáculo.
O que Grotowski, pois à prova:
A eliminação dos figurinos, dos cenários, da música, dos efeitos de luz e até do texto, o único que não poderia ser eliminado seria o ator e a platéia. Posteriormente ele questionou também a platéia, procurando colocá-la sob outro ponto de vista, como sendo uma coadjuvante atuante na cena e não uma representação meramente passiva.
Grotowski estabeleceu com as suas pesquisas dois teatros que estão em pontos opostos, um é o teatro que usa a arte como “Representação” e o outro teatro que usa a arte como “Veículo”, estes duas estéticas são pertencentes à mesma família que é a arte teatral, o transito entre e estes opostos estão na busca e na pesquisa da verdade de cada um.
Grotowski através desta nova forma de observar e de fazer a atuação como uma extensão da própria vida humana, estendeu o teatro para outros campos como a psicologia, psiquiatria e pedagogia. Estes profissionais aprenderam a arte de observar a diferença entre a ação e o gesto, ou seja, a dissimulação e a verdade interior de cada um, foi esta a grande proposta que Grotowski conseguiu perpetuar no século XX, este é o legado do “Teatro Pobre”.
Artaud e o teatro.
Antonin Artaud, nasceu em 1896 e morreu em 1948, viveu 52 anos, foi um artista que pertenceu aos movimentos artísticos: o surrealismo e o dadaísmo.
Artaud fez da estética do surrealismo a valorização do inconsciente como forma viva de existência, ele passou esta estética para o teatro visualizando os seus componentes – cenografia, ator e platéia - de uma forma completamente diferente de até então fez, portanto uma escola onde a encenação tomou como linguagem a metafísica.
Rejeitou questões que eram os pilares da encenação como a supervalorização da palavra como meio de expressão em cena, para Artaud o teatro usando a narrativa não passava de um meio literário de representação, deixando de lado o potencial que uma cena pode transmitir sem o uso de tanta narrativa.
Chegou a estas idéias após estudar o teatro oriental, defendia as idéias de que o teatro não deveria ser uma sombra da realidade, mas a realidade em si, a palavra é apenas um reflexo do texto ela limita o teatro como expressão dos sentimentos e da beleza que estão no inconsciente.
O Duplo é o outro fundamento que define o teatro como algo mais que uma simples interpretação, mas como um espaço ritualístico de outra realidade onde se pode chegar a atingir os limites dos sentimentos bons e ruins do ser humano.
É a modificação da LINGUAGEM teatral, o ator se apresenta como que um elemento da cena, a cenografia usa de cores desenhos e luzes para conseguir um envolvimento com a platéia a ponto de tudo se interagir como um espetáculo só.
Deu uma nova dimensão para os conceitos: obra-prima, cultura, vida, sentimento, drama, beleza e representação, todos estes conceitos para ele foram intraduzíveis somente uma forma metafísica de representação alcançaria algo próximo destes conceitos.
Ele definiu a idéia de preferência das massas com legítima por que nestas interpretações o mistério sempre está subtendido e é neste momento que o espectador define o ápice do seu sentimento em relação à encenação, por exemplo: quando um ator mostra através não somente do texto o seu sentimento a platéia sente a verdade do que está acontecendo, por isso um circo com o perigo do ator se machucar é tão apreciado pelas massas, por que ele diz e realmente está sendo verdadeiro, ele está acontecendo no tempo e no espaço diante dos espectadores, não se trata apenas de um texto representado de uma obra dita como prima, mas da realidade do ritual acontecendo.
Artaud tinha uma vida mental agitada, sempre esteve com o seu consciente e o seu inconsciente em conflito, mas conseguiu dar uma nova estética ao teatro, repensou tudo de uma forma corajosa e deixou marcas profundas na forma dos artistas entenderem a interpretação teatral.
Antonin Artaud, nasceu em 1896 e morreu em 1948, viveu 52 anos, foi um artista que pertenceu aos movimentos artísticos: o surrealismo e o dadaísmo.
Artaud fez da estética do surrealismo a valorização do inconsciente como forma viva de existência, ele passou esta estética para o teatro visualizando os seus componentes – cenografia, ator e platéia - de uma forma completamente diferente de até então fez, portanto uma escola onde a encenação tomou como linguagem a metafísica.
Rejeitou questões que eram os pilares da encenação como a supervalorização da palavra como meio de expressão em cena, para Artaud o teatro usando a narrativa não passava de um meio literário de representação, deixando de lado o potencial que uma cena pode transmitir sem o uso de tanta narrativa.
Chegou a estas idéias após estudar o teatro oriental, defendia as idéias de que o teatro não deveria ser uma sombra da realidade, mas a realidade em si, a palavra é apenas um reflexo do texto ela limita o teatro como expressão dos sentimentos e da beleza que estão no inconsciente.
O Duplo é o outro fundamento que define o teatro como algo mais que uma simples interpretação, mas como um espaço ritualístico de outra realidade onde se pode chegar a atingir os limites dos sentimentos bons e ruins do ser humano.
É a modificação da LINGUAGEM teatral, o ator se apresenta como que um elemento da cena, a cenografia usa de cores desenhos e luzes para conseguir um envolvimento com a platéia a ponto de tudo se interagir como um espetáculo só.
Deu uma nova dimensão para os conceitos: obra-prima, cultura, vida, sentimento, drama, beleza e representação, todos estes conceitos para ele foram intraduzíveis somente uma forma metafísica de representação alcançaria algo próximo destes conceitos.
Ele definiu a idéia de preferência das massas com legítima por que nestas interpretações o mistério sempre está subtendido e é neste momento que o espectador define o ápice do seu sentimento em relação à encenação, por exemplo: quando um ator mostra através não somente do texto o seu sentimento a platéia sente a verdade do que está acontecendo, por isso um circo com o perigo do ator se machucar é tão apreciado pelas massas, por que ele diz e realmente está sendo verdadeiro, ele está acontecendo no tempo e no espaço diante dos espectadores, não se trata apenas de um texto representado de uma obra dita como prima, mas da realidade do ritual acontecendo.
Artaud tinha uma vida mental agitada, sempre esteve com o seu consciente e o seu inconsciente em conflito, mas conseguiu dar uma nova estética ao teatro, repensou tudo de uma forma corajosa e deixou marcas profundas na forma dos artistas entenderem a interpretação teatral.
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