As propostas de Grotowski
Grotowski foi um polonês que pertenceu ao período 1933 até 1999, viveu guerras, misérias e o começo do advento televisivo como forma de entretenimento, sua vida foi marcada por grandes mudanças sociais radicais, participou intensamente todas elas e as questionou através do teatro, nos anos 50 foi o seu período de maior produção teatral onde colocou os seus pontos de vista sobre a encenação e questionou a forma de representação acima de tudo, não tinha a pretensão de formar uma escola com regras e soluções, mas sim propor uma eterna busca para o ator principalmente, após este período nos anos 70 se afasta do teatro para fazer experimentações fora dele.
A sua principal proposta era a de questionar a relação entre o ator e o espectador, ao contrário do advento da TV que se apresentava com um enorme aparato de recursos, Grotowski propôs o Teatro pobre como uma forma de enxugar o visual deixando apenas o ator e o espectador diretamente envolvidos na cena, ele acreditava que o ator podia transformar o gesto em ação sem ter que usar de artifícios para auxiliá-lo, o caminho do artifício como, por exemplo, a música poderia ser uma forma de conclusão emotiva para do gesto substituindo a ação do ator, por isso a necessidade de se tirar todo o aparato.
Para conseguir que um ator chegasse a este ponto Grotowski fez o Teatro Laboratório, esta era uma forma do ator passar por um processo que o levaria a ter um amadurecimento para assim fazer o “teatro pobre” fora dos moldes conhecidos, este preparo era essencial para que esta nova estética pudesse acontecer. O teatro pobre na sua concepção só atingia as elites de pessoas que se dispuseram a fazê-lo, ele não era um teatro de fácil assimilação e entendimento, os próprios atores passavam no laboratório por situações que os conduziam a visualizar os clichês pessoais de interpretações antigas, treinavam o desprendimento da verbalização e principalmente treinavam a sinceridade entre o gesto e a ação. Acima de tudo a atuação deveria ser vista como um caminho para a descoberta da vida pela encenação e não uma imitação da realidade, o teatro é a extensão da realidade e não apenas um momento de espetáculo.
O que Grotowski, pois à prova:
A eliminação dos figurinos, dos cenários, da música, dos efeitos de luz e até do texto, o único que não poderia ser eliminado seria o ator e a platéia. Posteriormente ele questionou também a platéia, procurando colocá-la sob outro ponto de vista, como sendo uma coadjuvante atuante na cena e não uma representação meramente passiva.
Grotowski estabeleceu com as suas pesquisas dois teatros que estão em pontos opostos, um é o teatro que usa a arte como “Representação” e o outro teatro que usa a arte como “Veículo”, estes duas estéticas são pertencentes à mesma família que é a arte teatral, o transito entre e estes opostos estão na busca e na pesquisa da verdade de cada um.
Grotowski através desta nova forma de observar e de fazer a atuação como uma extensão da própria vida humana, estendeu o teatro para outros campos como a psicologia, psiquiatria e pedagogia. Estes profissionais aprenderam a arte de observar a diferença entre a ação e o gesto, ou seja, a dissimulação e a verdade interior de cada um, foi esta a grande proposta que Grotowski conseguiu perpetuar no século XX, este é o legado do “Teatro Pobre”.
domingo, 17 de maio de 2009
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