domingo, 27 de setembro de 2009

ARTE-POSTAL



Arte-Postal


Os movimentos artísticos do início do séc. XX se utilizaram muito da arte postal, e por que não dizer que estes movimentos aconteceram devido a estes tipos de correspondências que estes artistas tiveram.

A arte postal teve um grande impulso com os artistas futuristas, eles realizaram pinturas e colagens nos cartões postais, foi o movimento que primeiramente se preocupou estéticamente com esta arte, que até então não era vista como uma arte.

Os dadaístas também se utilizaram da antiarte(destruição), os cartões postais eram uma forma de comunicação entre eles, estas correspondências tinham finalidades artísticas. Estes cartões tinham um propósito estético além da comunicação, estava sempre implícita a idéia visual.

O surrealismo, reestrutura a arte em oposição à destruiçãso dadaísta, e também se utiliza da arte postal como meio de comunicação e manifestação das suas idéias, estes artistas procuram manter um intercâmbio entre o poético(escrita) e o pictórico(visual).

O novo realismo preparou o mundo para a Art Pop, este movimento era contrário a massificassão das pessoas, usavam o correio como uma forma de individualizar e personificar a arte, fazendo uma produção que incluia elementos naturais nas figurações dos selos.

A Pop Art, procurou olhar o sentido de massificação como manifestação artística, e dar um sentido para as coisas muito mais do que criar estilos de arte, as obras são descartáveis assim como o sentido da coletividade, tudo pode ter função e ser um objeto de arte também. A arte postal é ao contrário da massificação, ela é uma obra que passa de indivíduo para indivíduo.

Arte Conceitual, valoriza a idéia acima da estética. A arte postal tomou esta cara também por que é um estilo de arte aberta, pode acontecer desde uma foto até a comunicação de uma idéia polêmica.

Os artistas que estiveram presentes nos movimentos do início do século, utilizaram, inventaram e reinventaram a arte postal, além de ser uma extensão dos movimentos a arte postal é por si só uma arte única, sobrevive como uma comunicação criativa, viva e possível de evolução, o e-mail é um dos desdobramentos que abre uma janela para o mundo dentro de todas as nossas casas, nos dando a oportunidade de divulgarmos dentre tantas coisas a nossa visão estética do mundo.

No meu processo de fazer a arte postal, procurei utilizar-me da arte conceitual, fiz colagens com figuras de revistas que tivessem a imagem da tela e de pessoas e também de olhos, acredito que a mensagem para quem recebeu foi a de que nós estamos com os nossos olhos muito presos à tela.

Fiz um acabamento com lápis metálico para deixar as figuras mais unidas, fiz também uma brincadeira de dobradura com este postal para que a pessoa que fosse abrí-lo tivesse a sensação de surpresa.

A arte-postal deveria ser mais incentivada nas escolas, é uma forma de criação e de carinho para com a pessoa que está recebendo, neste mundo tão mecanizado de via e-mail, receber um postal diferenciado é muito gratificante e fazê-lo também.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

VÍDEO ARTE: EU NÃO SOU UM NÚMERO

A temática deste vídeo arte é uma crítica relativa à despersonificação que nós no mundo de hoje sofremos, todos nós precisamos ser números dentro da nossa organização social para sermos de fato integrantes dela.
O vídeo procura questionar esta condição, repetindo várias vezes EU NÃO SOU UM NÚMERO, a personagem fala esta frase em tom afirmativo e com variados tons de sentimentos e humor. A intenção é provocar uma empatia onde o espectador se vê e se identifica com o conflito da personagem.
O endereço é:
http://www.youtube.com/watch?v=0hMMrPbgdfo&feature=player_embedded

quarta-feira, 26 de agosto de 2009


Filme: O Show de Truman
Denise Corrêa


O tema central deste filme é a filmagem de um reality show sem que o próprio Truman saiba disto. Os acontecimentos não são diferentes de uma novela ou de um reality onde todos sabem que estão sendo filmados, a diferença deste reality é que Truman passa a sua vida toda dentro de uma grande farsa, o público sabe que ele não sabe e daí vem o sucesso do show.
A cidade, as pessoas, os efeitos naturais, tudo é programado por um diretor obsessivo que pega uma criança e a coloca em um mundo manipulado e falso, os patrocinadores são os anúncios que aparecem de pano de fundo e os que os atores falam no ar, o modo de vida de Truman também vira moda, todos assistem ao programa desde as crianças até velhinhas, Truman não está no mundo real, mas o mundo real está com Truman, o poder da imagem deste programa interfere perigosamente na vida de todos de ambos os lados.
Eticamente este reality é extremamente condenável, mas ele é tão cativante que as pessoas relevam este “detalhe”, o sucesso está acima de qualquer outra questão, a mídia do filme coloca a idéia de que Truman é feliz e que o resto não importa, esta ideologia mascara a real situação de enganação involuntária a que Truman está vivendo, vê-se pessoas de bem compactuando com a farsa, somente o diretor do programa é quem esboça uma maldade e um egoísmo evidente.
Podemos associar estas posturas com muitas das nossas diante da telinha, se estamos gostando de uma programação, mas temos a leve suspeita de que ela é prejudicial a alguém, procuramos vê-la, ou engoli-la como se fosse boa, a manipulação se dá neste ponto, voltando ao filme as pessoas só concordam com o final de ver liberto Truman por que o programa conduz para aquele desfecho.
O filme mostra que o poder da mídia pode ser infinito quando se coloca na frente da condição humana o slogan: a realidade é um show, a proposta está sendo honesta, vejam está nova experiência, estamos sob controle da situação, vocês não são cúmplices, o que importa é comprar a sua alegria, aprecie você também o que todos estão gostando, etc...
No filme a mídia massifica uma estória banal que poderia ter sido feita muito melhor com atores, mas o fato de Truman estar inocente sobre esta questão é o que atrai, é o que manipula as pessoas.
Esta trama dá um pouco de medo a respeito da massificação, mentes que não pensam e só sentem podem facilmente ser cooptadas a fazerem o que uma programação deseja, a passividade e o envolvimento com a TV pode se assemelhar a uma droga inebriante e também pode ser uma forma de destruição até mesmo partindo de uma estória é banal como a de Truman que vive uma vida comum e mesmo assim altera o dia a dia de todo o planeta.
Na cidade fictícia de Truman não se vê um aparelho de TV, talvez por isso este show tenha ficado mais atrativo, Truman apresentava uma vida sem este aparato que para nós é insubstituível e ele conseguia ser feliz mesmo sem a telinha, muito curioso...


Programa de humor: Toma lá dá cá
Denise Corrêa

O programa humorístico Toma lá da cá, é destinado a um público adulto, por que á apresentado num horário noturno avançado em torno das 23hs. Os temas são as artimanhas e confusões que duas famílias que são vizinhas em um andar de um prédio chamado Jambalaia se envolvem, estas duas famílias tem os seus membros misturados, os casais atuais já foram casados,mas convivem muito bem morando perto.
Este tipo de humor envolvendo um edifício e várias confusões já foi um antigo tema de um programa que se chamava: Balança mais não cai.
A apresentação é como se os acontecimentos estivessem em um palco de teatro, portanto a linguagem de aparição das cenas é de linguagem teatral, o cenário é sempre o mesmo, os atores é que movimentam a cena, lembrando o antigo programa Família Trapo que foi exibido no início das TV brasileira, este tipo de programa humorístico comporta um público como foi no programa Sai de Baixo.
Os temas são as enrascadas que os personagens se metem, é um besteirol, estes conflitos são supérfluos, mas com uma grande dose de humor e criatividade assim os personagens se interagem de forma que todos têm uma conduta suspeita, ninguém tem caráter sério, todos enganam e são enganados, como o próprio nome diz é toma lá dá cá, tudo tem uma cobrança, o dinheiro é muito valorizado, todos tem um lado corruptível quando a palavra é “grana”.
Todos os personagens são caricatos e reforçam estereótipos como “Sapatão”, “Pobre”, “Esta menina é mau caráter”, sem esquecer do bordão de Copélia: Prefiro não comentar, frase que ela coloca bem no final das situações quando está sem saída para as suas confusões e peripécias sexuais, esta frase já faz parte do vocabulário das pessoas, já a ouvi muitas vezes.
O conceito de que se deve passar a perna em qualquer um para conseguir vantagens está subtendido em quase todo o programa, a empregada de Pato Branco é sempre colocada como uma semi escrava e ignorante, os filhos sempre problemáticos e meio débeis, a síndica é corrupta e não se envergonha disto, os casais apesar se apresentarem como apaixonados, não pensam duas vezes em agir pelas costas um do outro. Trata-se de um aglomerado de estereótipos que untos são engraçados e mexem muito como o nosso temperamento brasileiro de resolver tudo da forma mais fácil e proveitosa possível, o nunca dar sem receber de volta.
As propagandas estão direcionadas para um público adulto e dito sério, este programa é apresentado logo após o Casseta e Planeta Urgente, é a dobradinha de Humor de TV globo, nos moldes de um programa de humor moderno com um no estilo antigo esta dupla de programas faz sucesso por que tem muita brasilidade neles, é o lado jocoso do nosso atual Brasil, mostrando que velhas fórmulas e atuais temas conseguem audiência, e patrocinadores.

domingo, 23 de agosto de 2009

Caminho das Índias

ASSISTINDO NOVELAS - Caminho das Índias
Denise Corrêa



Esta novela (2009) é exibida pela Rede Globo de Televisão tem início às 21hs terminando por volta das 22hs de segunda até sábado infalivelmente.
Ela é uma novela que possui no seu enredo vários núcleos de estórias que ao longo da trama vão se ligando, mas o tema principal é o velho amor impossível.
O espaço físico se passa na Índia e no Brasil, trata-se de dois casais que são separados para atenderem as tradições indianas onde o casamento deve seguir as tradições das castas para garantir a sobrevivência dos costumes.
A Autora é criativa por que ela com uma mesma personagem a Maia, ela mostra dois lados do amor, o da paixão quando Maia perde a noção do perigo e se entrega a um “dalit’, que é uma pessoa sem casta, e depois o amor que ela constrói ao lado do marido arranjado, o público fica preso neste dilema de Maia, e todos torcem pela felicidade dela que a cada capítulo parece mais distante.
Toda a força da emoção deste personagem Maia causa no público uma grande inquietação, por que se ela retornar para a paixão, as incertezas serão muitas, a sua ligação com o marido já é muito forte grandes perdas ocorrerão por que ela já esta submissa as tradições indianas. Esta semana Maia foi descoberta por sua maior inimiga (a cunhada) e está desesperada, o público se envolve e fica esperando que atitude Maia terá para conseguir controlar a situação a seu favor, o cerco está se fechando e a personagem está espremida entre emoções negativas.
Existem vários núcleos e sub-núcleos dentro da novela, existe o pesado que é o drama de Maia, existe o leve engraçado que é a turma dos indianos que moram no Rio de Janeiro, estes personagens dão um toque de humor que alivia o peso da tensão do tema principal, mesmo tratando do tema traição Norminha e Abel, o tema se torna engraçado por que os personagens são caricatos e exagerados, sem contar com o falso indiano guru que brinca com a ingenuidade dos brasileiros nas suas curas e mantras. Existe também o grupo rico, onde tudo só existe pelo dinheiro e para dinheiro, Melissa é a personagem que representa toda a manutenção de aparência que o mundo capitalista precisa para sobreviver, até nega a doença do filho em nome da sua aparência social.
A autora como é de sua característica mostrar algum problema social importante, trabalha nesta novela com patologias psiquiátricas principalmente a esquizofrenia e a psicopatia, através do médico psiquiatra a autora descreve estes problemas sob o ângulo de medicina, como eles são como estas pessoas agem, o que é melhor fazer quando um caso deste aparece na família, etc. A autora presta um serviço de esclarecimentos e de orientações para o público sobre estes casos de doença da personalidade mostrando com atores muito preparados como é que estas doenças se manifestam.
Todos os conceitos como justiça, amor, diversidades culturais são mostrados sob vários aspectos, provocando no espectador uma reflexão a respeito destes pontos de vista, daí a grande audiência. O espectador participa de variados estados de amor e paixão, dinheiro e aparência, pobre feliz e rico infeliz, e principalmente o que é bom e o que é ruim na cultura tradicional indiana e na brasileira.
No geral todos estes núcleos têm uma aparência bonita, a novela é bela as cenas mostradas da Índia são paisagens e pessoas coloridas e felizes, no Brasil também existe uma preocupação em mostrar todos os personagens bem vestido, maquiados e com corpos esculturais, o feio visualmente não faz parte da trama.
Esta trama tem influenciado muito o dia a dia das pessoas, a audiência é muito grande algumas expressões indianas como “tic” já está sendo comum ouvir, o gesto do cumprimento com as mãos fechadas também as pessoas fazem, roupas e bijuterias da índia existem por todas as lojas da cidade, a maquilagem pesada nos olhos das mulheres também. É muito comum querer se parecer com as beldades da telinha.
As propagandas são divididas entre as da programação da emissora com produtos de grandes firmas de comércio, tudo neste horário é muito caro e somente as grandes indústrias tem este poder aquisitivo, estas propagandas às vezes só citam o nome da firma sem imagens, mostrando que é direcionada para um público que é adulto e que já conhece, por exemplo, a chamada de um supermercado. Existem também neste horário as propagandas de partidos políticos que são muito bem feitas como se fosse uma estória, os partidos se utilizam deste horário por que sabem que os adultos estão ligados na novela.
Se eu fosse escrevê-la diminuiria os personagens, tem alguns que sobram na trama, fazem quase que um pano de fundo e são atores bons que são desperdiçados, enfim eu tiraria um pouco dos indianos, as professoras que apesar de terem começado com boas idéias se perderam no caminho.


O Quarto Poder e Além do cidadão Kane

O Quarto Poder e Além do Cidadão Kane
Denise Corrêa


O filme O Quarto Poder, nos mostra que além dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, outro quarto poder existe na informalidade, mas com um poder extremamente abrangente, é o poder da informação, das imagens, da tela, da máquina e principalmente da manipulação de interesses.
A primeira tomada é genial e resume com apenas algumas tomadas o poder que está por de trás de uma filmadora: A cena se inicia com a repórter montando uma filmadora para ir trabalhar, mas a sequência desta montagem mais parece a montagem de uma metralhadora na mão de um terrorista, somente depois de montada é que você terá a noção de que se trata de uma filmadora e não de uma metralhadora. Estas tomadas são a grande idéia do filme por que apesar de ser uma filmadora ela irá fazer o papel de uma metralhadora durante a trama.
Um repórter (Max) pra lá de sensacionalista participa por acaso de um episódio onde Sam um homem desesperado por ter perdido o emprego atira por acidente no seu ex- colega de trabalho, Max direciona tudo como se fosse um seqüestro premeditado e coloca a cena como se fosse uma representação teatral, na verdade ele está em busca de uma popularidade que já perdeu na mídia, vê neste possível seqüestro a sua volta triunfante nos meios televisivos.
Sam por sua vez é uma pessoa limitada na sua percepção e o fato de ter perdido o emprego o deixou sem estrutura para discernir o que estava acontecendo e se submete as ordens de Max ainda na ilusão de obter o emprego de volta.
Com o decorrer da tensão a situação se torna sem controle, Max não sabe o que fazer com o monstro que criou e também, os seus colegas repórteres começam a invadir a sua “conquista” e tudo começa a se quebrar, Sam que está sem dormir por que toma pílulas está visivelmente sem controle da sua realidade ele não sabe mais o que realmente quer e o que o mundo pensa dele, cada vez que assiste a TV o público se mostra de uma forma, às vezes simpatizando e às vezes odiando o que ele fez.
Os interesses da Emissora é que a reportagem dê ibope não existe uma preocupação de saber até que ponto a interferência das gravações ao vivo são reais, elas são modificadas para que os repórteres tenham projeção, é o grande filão da emissora. O povo acompanha como se fosse uma telenovela, vão para frente do museu e acampam todos querendo fazer parte da história, todos querendo notoriedade, todos querendo aparecer a qualquer custo através de depoimentos, etc.
A mídia foi praticamente responsável por atribuir papéis ao Max e ao Sam, no final parece que tudo que sobrou deles foi nada, o drama pessoal de cada um se mistura com as imagens e torna tudo muito intenso, mas passageiro.
A morte de Sam é prevista pelo espectador desde o início, a força de O Quarto Poder é tão grande que Sam já está estilhaçado mesmo antes da dinamite, a morte final nada mais é do que a concretização do que a mídia já havia feito e queria que este fim fosse concretizado para que assim a sua “novela” tivesse o final programado dando a emissora credibilidade.
Quando Max grita para todos: nós matamos Sam, ele só é compreendido para ele (Max) e para nós que assistimos a trama, as pessoas que estão lá estão acreditando na versão da TV, Max também é estilhaçado neste raro momento de lucidez.

Existem no nosso dia a dia vários Maxs e vários Sans, a nossa grande tarefa como telespectadores é a de procurarmos sempre apesar de na ser fácil discernir o que nos é passado pela mídia principalmente a televisiva, por que ela trabalha co elementos que seduzem muito, o som, o jogo de imagens e as falas do ditos repórteres confiáveis, é muito comum se ver pessoas que são consideradas ídolos morrerem muito cedo meio que sem explicação, estes artistas morrem cedo por que não conseguem se livrar do poder do mito que a mídia lhe impôs, Michael Jacson que é um exemplo mais recente abusou dos remédios como se o seu corpo de semi-deus que a mídia proclamou estivesse acima destas coisas do meros mortais, não foi diferente com Elvis, Elis Regina, Garrincha, etc. Poucos como Edson Arantes do Nascimento souberam diferenciar o homem do personagem Pelé.
Este filme é a mídia do cinema mostrando o lado B desta mesma mídia, é acima de tudo uma autocrítica que ao mesmo tempo apresenta uma estória de si mesma veiculada por um filme, este filme estaria redimindo o poder de ser das imagens mostrando ao espectador que se pode dentro da mídia ser uma critico da mídia.



Além do cidadão Kane:

Este documentário feito por americanos faz como no O Quarto Poder, é uma demonstração de que tudo que se vê parece, mas pode não ser. A TV Globo é colocada como a emissora que o filme mostra, com interesse principalmente de sobrevivência dentro do Brasil, por isso ela se tornou excessivamente governista, ou seja, sem partido político, o seu partido é o da situação.
Esta situação governista começa desde a pré candidatura de um político, a TV Globo já desde o início das campanhas das eleições procura direcionar para qual candidato seria melhor uma vitória, e também teve influência na derrubada de Fernando Collor, mostrando assim que a “arma” TV é poderosa tanto para construir como para destruir.
Este documentário já tem mais de dez anos e a TV Globo ainda continua no poder televisivo do Brasil, ainda é governista e ainda é a que tem mais audiência, diversificou a sua programação, mas no fundo a sua sobrevivência esta em continuar sendo governista.
Este bastidor nos demonstra que este Quarto Poder na prática e informalmente está acima dos outros três, fazendo julgamentos, leis, e principalmente executando as ações que somente lhe dão privilégios.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009



A ROTINA DA TV BRASILEIRA (NOVELAS):

O Casamento dos personagens é um dos grandes temas que as novelas usam para conseguir prender a atenção do espectadores, esta cena é uma releitura onde somente o casal se casando aparece em evidência, mesmo assim a idéia permanece intacta em relação a imagem original.

domingo, 17 de maio de 2009

ORQUESTRA SINFÔNICA MUNICIPAL DE BARRETOS - UM ORGANISMO VIVO DENTRO DA COMUNIDADE

O sub-tema “organismo vivo”, trata-se da fusão da orquestra e do público perante a música, estão presentes o repertório, os intérpretes e os ouvintes.
Existem basicamente duas linhas de atuação da ORQUESTRA, uma é a atitude de ir até um público determinado, e a outra atitude é a de convidar o público para vir até a ORQUESTRA, em ambas as situações a ORQUESTRA continua com o dever de ser um “organismo vivo”.
Trocando em miúdos, quando a ORQUESTRA vai ao público:

O PÚBLICO DAS ESCOLAS:

É um público cheio de energia e curioso, eles gostam de músicas fortes onde o ritmo aparece bem marcado, se impressionam muito com o naipe de percussão, observam os músicos nos mínimos detalhes, gostam de pegar os instrumentos e nos tratam como se fossemos artistas da TV, todos nós neste dia nos sentimos como celebridades. A ORQUESTRA tem neste público altamente pulsante além da apresentação musical, uma oportunidade para fazer um concerto informativo onde são mostrados os instrumentos musicais e feitos comentários sobre as músicas e os seus compositores, nestas apresentações a dinâmica do entretenimento e dos esclarecimentos é breve para não dispersar os ouvintes, não nos esqueçamos de que a música por si só representa e diz muito.
O público infantil contagia-se com a música de imediato, determinadas passagens musicais como a abertura da Ópera Carmem, faz as crianças baterem palmas com euforia, demonstrando que se sabendo escolher o repertório ele pode variar desde o simples até o complexo.
O grande “organismo” acontece no sentido da descoberta e da admiração de quem está vendo pela 1ª vez um instrumento musical emitir uma música, saímos destas apresentações remoçados, é uma boa oportunidade para convidar estes jovens ao estudo de algum instrumento musical.

O PÚBLICO DOS HOSPITAIS:

É um público altamente introspectivo, a música é sentida em cada detalhe, a situação pessoal de saúde torna estes ouvintes pessoas que através do som, se transportam para situações do passado de onde trazem boas recordações, não são curiosos a respeito dos instrumentos ou autores das músicas, estão muito compenetrados na música em si, talvez sejam estes os nossos maiores ouvintes (na concepção exata da palavra).
O repertório mais apreciado é o do nosso cancioneiro popular, aquelas canções românticas que geralmente vem acompanhada da letra, é muito comum pessoas com dificuldades saírem de seus leitos para irem ver a orquestra de perto.
Para nós músicos o retorno destas apresentações é bastante subjetivo, nos comovemos com olhares e agradecimentos que notoriamente saem do fundo do coração destas pessoas, cada música tocada tem um valor extremamente grande e aquele momento da nossa presença é único e especial. É o grande “organismo” mostrando vida para quem só está vislumbrando muitas vezes a morte dentro da rotina de um hospital. Não podemos nos esquecer do grande envolvimento que os funcionários do hospital demonstram também tem em tudo isto, eles são os grandes incentivadores e ouvintes que estão sempre nos convidando para apresentações.

O PÚBLICO IDOSO:

Quando vamos a estes locais somos recebidos como um membro da família, temos a sensação de que estamos na sala da casa da nossa avó ou mãe, o tratamento é extremamente carinhoso, nos é servido café, suco, bolo e muito bate papo.
Estes ouvintes estão abertos a qualquer tipo de música, dá para sentir no ar uma confiança de que o concerto será ótimo de qualquer forma, procuramos escolher um repertório que tem algumas peças eruditas curtas, mas a maioria seguindo a linha popular de canções brasileiras e de temas de filmes famosos. Tudo vira uma apoteose, com direito a dança e comentários dos ouvintes entre uma música e outra. A ORQUESTRA se apresenta como um “organismo vivo” onde a nossa simples presença já está valorizando o sentido de vida destas pessoas que às vezes estão muito só nas suas casas e tem este espaço para dar luz a sua extensa vida, são homenagens as pessoas que tem muito para nos contar. Em um concerto tivemos o prazer de conhecer um senhor de 105 anos que muito se emocionou com a nossa música, a auto-estima de todos neste dia notoriamente engrandece.

Quando o público vai até a ORQUESTRA:

As situações básicas são: Concerto de datas comemorativas como dia das mães, namorados, natal e participação em eventos públicos ou privados.
Nestes tipos de concerto o repertório é escolhido de acordo com a temática do evento, a ORQUESTRA tem o dever de abrilhantar e dar glamour ao evento. No natal, por exemplo, as músicas sacras são mescladas com as eruditas e populares para que a apresentação se torne um encerramento grandioso feito poucos dias antes do natal, não esquecendo que se trata de um público heterogêneo e rotativo que está presente na praça. Quando for a participação da ORQUESTRA dentro de algum outro evento, a idéia é a de amarrar a temática do evento ao repertório escolhido de forma que o todo não fique fragmentado, um exemplo: Quando apresentamos músicas que falavam do Rio Grande já que o evento era direcionado para a questão da poluição do Rio, foi um sucesso a orquestra mostrou o lado emotivo da relação do homem com as delícias do Rio, dando um sentido aos textos que foram comentados.

O CONCERTO OFICIAL:

É concerto onde o repertório erudito estará mais evidenciado do que o popular, o público estará informado pela imprensa sobre o repertório, este é o momento onde a ORQUESTRA apresentará um repertório com uma identidade nacional e internacional em repertório sinfônico, seria a forma de levar ao público uma atualização da música erudita que está acontecendo no momento no mundo, seria o “organismo” além do regionalismo, transportando as pessoas para as emoções dos grandes compositores da música mundialmente conhecida.

CONCERTOS NA REGIÃO DE BARRETOS:

Aqui na região de Barretos a nossa ORQUESTRA é a única que tem todas as condições para levar para as cidades próximas ou até nem tão próximas, uma música de boa qualidade, as orquestras dos grandes centros não incluem em suas agendas estes tipos de eventos em cidades de pequeno ou médio porte temos, portanto um público a nossa espera em toda esta nossa região, poderemos levar o nome de Barretos positivamente para todas elas através da ORQUESTRA.
Em todos os concertos que fizemos fora de Barretos fomos muito bem recebidos, o público destas cidades estão sempre aguardando o nosso retorno, é o “organismo vivo” ampliando as fronteiras do município.

CONCLUSÃO FINAL:

Devemos nos orgulhar de termos em Barretos uma ORQUESTRA, ela atua e pode estender muito mais a sua atuação, vamos levar em consideração que no mundo atual estão acontecendo movimentos para se dinamizar as orquestras, muitos dos dirigentes estão percebendo que esta instituição é um importante veículo de emoções, idéias e atitudes que faz através da música o engrandecimento da pessoa e da sua coletividade (diferenciando-se da música difundida pela tecnologia eletrônica), transformando-se assim como foi dito em um “organismo vivo” necessário a todos.

Termos significativos sobre o ensino de artes, desde as Academias até a definição de Cultura Visual.

A Academia:
O termo academia existe desde a Grécia antiga e desde então também está interligado á situação de ensinar ou passar conhecimento a outrem. Na Renascença o termo passou a designar uma associação de sábios e literatos eruditos que tinham a pretensão de emancipar os artistas que eram reféns das guildas, procuravam então fazer uma distinção entre o artesão e o artista, esta classe teria uma conotação erudita frente à obra artística, os princípios, portanto eram rígidos para que nestes termos só ficassem os que realmente fossem bons.
A iniciativa era particular feita por nobres que valorizavam a arte como um diferencial em relação ao homem comum, Lorenzo de Médici (1474) foi o grande mecenas, estudavam concomitantemente com as artes (pintura, escultura e arquitetura) filosofia. Michelangelo foi um grande nome da época que esteve com os Médicis durante o seu aprendizado como artista. Esta academia chamava–se Academia Platônica que apoiava tanto a produção quanto a educação dos artistas.
Forma de trabalhar: Um professor era o responsável por um grupo de alunos, eles estudavam as disciplinas teóricas e trabalhavam nos ateliês fazendo as obras de arte.
Com o aparecimento das academias: Academia Del Disegno (1561) e a Academia de San Luca (1593), o formato Academia irá perdurar por três séculos, por que elas se tornaram ponto de referência para toda a produção artística, a Del Disegno foi considerada um avanço para a sistematização do ensino de artes, dela saiam desde quadros até projetos de monumentos e edifícios, a San Luca considerou as questões educacionais num plano bastante relevante vindo a ser uma referência para o ensino, promovia palestras e conferências onde se debatiam teorias artísticas e que eram publicadas e colocadas a disposição do público. A estética da Academia era baseada nos modelos clássicos gregos e nos mestres renascentista. As academias foram socialmente a instituição que mais deu status ao artista, dentro de uma academia se obtinha ascensão social e material.
O Classicismo:
Foi o período dominado pelo absolutismo do rei francês Luís XIV, Academia de Paris (1648), tinha uma política centralizadora e autoritária, o Estado regulamentava tudo e esta Academia tinha códigos estéticos como se fosse um órgão militar, ela era também policiada e vigiada, a arte era um aparato de subserviência do rei, não se permitiu mais o mecenato privado, o artista consequentemente ficava distante do público e privado de ter iniciativas sobre os seus trabalhos.
Academia de Roma, feita nos moldes da francesa, porém com uma liberdade maior.
Ambas valorizam esteticamente muito mais o desenho do que a cor, o classicismo grego e o maneirismo (pintar aos moldes de um pintor renascentista), também faziam conferências sobre temas artísticos.
Para quem fosse fazer a Academia existia uma hierarquia de estudos sobre os temas: Primeiro faziam-se estudos sobre natureza morta e paisagens eram os temas considerados inferiores, depois estudavam os animais e as formas humanas e por fim os temas que eram considerados nobres que eram as representações históricas e mitológicas.
Com a revolução francesa as academias foram substituídas pela estética neoclássica, que é uma estética que procura reviver o estilo Greco-Romano, no lugar da Academia surge a Commune des Arts, Clube Revolucionário das Artes e Sociedade Popular e Republicana das Artes que segue o ideal revolucionário de serem associações livres e democráticas onde os artistas não tinham privilégios.
A revolução foi o primeiro baque no sistema de funcionamento das academias, posteriormente no final do século XIX e início do século XX, com as variadas correntes artísticas e independência do poder estatal as academias foram consideradas sinônimo de antiquado, apesar disto a sua estrutura perdura até os dias de hoje.
Com a expansão do ensino de artes no início do séc. XX foram muitas as designações que se associaram ao ensino de artes no Brasil, a saber:
BELAS ARTES:
O conceito:
Estudo das artes consideradas superiores: Pintura, Escultura e Desenho, assim o artista era diferenciado socialmente das demais pessoas.
O termo foi instituído com a chegada da missão artística francesa no Brasil, a função da arte é a de apenas retratar o belo, somente é considerado Belas Artes o estudo estético da arte acadêmica, é um resquício da Academia francesa e do neoclassicismo, são consideradas artes menores as artes aplicadas, a cerâmica e a gravura.
ARTES PLÁSTICAS:
O conceito:
É a relatividade que um material físico tem com a sua forma e o seu conceito.
Com a estética do modernismo onde o belo se tornou uma questão relativa e não uma questão fundamental, estes movimentos modernos do início do século XX, definiram o termo artes plásticas entendendo a arte como uma estética dos sentidos, é também uma forma de negar o academicismo que as belas artes ainda perpetuavam. A intenção era a de que o ensino de artes deveria seguir as constantes evoluções que os estilos artísticos estavam passando, eram consideradas artes plásticas: Performances, arte conceitual, happenings, instalações e qualquer outra expressão artística contemporânea. Em meados do Século XX as nomenclaturas mais usadas eram licenciatura em artes plásticas e bacharelado em artes plásticas.
ARTES VISUAIS:
O conceito:
Engloba a psicologia, história, estética e semiologia (estudo dos sinais).
Considera tudo desde a Grécia, Academias, Belas Artes, Artes Plásticas até a construção da imagem digital da tela de TV e computadores. A visão é o centro de tudo a nossa forma de perceber esteticamente o mundo passa pela relatividade da imagem, engloba todas as artes da história considerando também o design, o cinema e a tecnologia. O termo surgiu nos EUA
CULTURA VISUAL:
O conceito:
Engloba: Educação, Sociologia, Antropologia e geografia.
A cultura visual valoriza muito os artefatos como forma de entendimento sobre a cultura que o produziu, no mundo atual a produção de imagens são de grande importância para a cultura, os alunos devem ter uma visão cultural de como estas imagens acontecem e aonde elas atuam dentro da cultura e como eles devem se situar dentro destas vastas informações visuais.
Estes termos BELAS ARTES, ARTES PLÁSTICAS, ARTES VISUAIS E CULTURA VISUAL coexistem na nossa sociedade de ensino de artes, cada um tem uma ênfase diferente, porém todos ainda estão em busca de se adaptarem a realidade da educação brasileira, o termo Artes Visuais é atualmente a tendência mais escolhida para se designar um ensino de artes, existe uma busca para que o termo escolhido não se engesse como aconteceu com o termo Academia e se torne um empecilho para o desenvolvimento da educação voltada para as artes.

Grotowski e o teatro

As propostas de Grotowski

Grotowski foi um polonês que pertenceu ao período 1933 até 1999, viveu guerras, misérias e o começo do advento televisivo como forma de entretenimento, sua vida foi marcada por grandes mudanças sociais radicais, participou intensamente todas elas e as questionou através do teatro, nos anos 50 foi o seu período de maior produção teatral onde colocou os seus pontos de vista sobre a encenação e questionou a forma de representação acima de tudo, não tinha a pretensão de formar uma escola com regras e soluções, mas sim propor uma eterna busca para o ator principalmente, após este período nos anos 70 se afasta do teatro para fazer experimentações fora dele.
A sua principal proposta era a de questionar a relação entre o ator e o espectador, ao contrário do advento da TV que se apresentava com um enorme aparato de recursos, Grotowski propôs o Teatro pobre como uma forma de enxugar o visual deixando apenas o ator e o espectador diretamente envolvidos na cena, ele acreditava que o ator podia transformar o gesto em ação sem ter que usar de artifícios para auxiliá-lo, o caminho do artifício como, por exemplo, a música poderia ser uma forma de conclusão emotiva para do gesto substituindo a ação do ator, por isso a necessidade de se tirar todo o aparato.
Para conseguir que um ator chegasse a este ponto Grotowski fez o Teatro Laboratório, esta era uma forma do ator passar por um processo que o levaria a ter um amadurecimento para assim fazer o “teatro pobre” fora dos moldes conhecidos, este preparo era essencial para que esta nova estética pudesse acontecer. O teatro pobre na sua concepção só atingia as elites de pessoas que se dispuseram a fazê-lo, ele não era um teatro de fácil assimilação e entendimento, os próprios atores passavam no laboratório por situações que os conduziam a visualizar os clichês pessoais de interpretações antigas, treinavam o desprendimento da verbalização e principalmente treinavam a sinceridade entre o gesto e a ação. Acima de tudo a atuação deveria ser vista como um caminho para a descoberta da vida pela encenação e não uma imitação da realidade, o teatro é a extensão da realidade e não apenas um momento de espetáculo.
O que Grotowski, pois à prova:
A eliminação dos figurinos, dos cenários, da música, dos efeitos de luz e até do texto, o único que não poderia ser eliminado seria o ator e a platéia. Posteriormente ele questionou também a platéia, procurando colocá-la sob outro ponto de vista, como sendo uma coadjuvante atuante na cena e não uma representação meramente passiva.
Grotowski estabeleceu com as suas pesquisas dois teatros que estão em pontos opostos, um é o teatro que usa a arte como “Representação” e o outro teatro que usa a arte como “Veículo”, estes duas estéticas são pertencentes à mesma família que é a arte teatral, o transito entre e estes opostos estão na busca e na pesquisa da verdade de cada um.
Grotowski através desta nova forma de observar e de fazer a atuação como uma extensão da própria vida humana, estendeu o teatro para outros campos como a psicologia, psiquiatria e pedagogia. Estes profissionais aprenderam a arte de observar a diferença entre a ação e o gesto, ou seja, a dissimulação e a verdade interior de cada um, foi esta a grande proposta que Grotowski conseguiu perpetuar no século XX, este é o legado do “Teatro Pobre”.
Artaud e o teatro.

Antonin Artaud, nasceu em 1896 e morreu em 1948, viveu 52 anos, foi um artista que pertenceu aos movimentos artísticos: o surrealismo e o dadaísmo.
Artaud fez da estética do surrealismo a valorização do inconsciente como forma viva de existência, ele passou esta estética para o teatro visualizando os seus componentes – cenografia, ator e platéia - de uma forma completamente diferente de até então fez, portanto uma escola onde a encenação tomou como linguagem a metafísica.
Rejeitou questões que eram os pilares da encenação como a supervalorização da palavra como meio de expressão em cena, para Artaud o teatro usando a narrativa não passava de um meio literário de representação, deixando de lado o potencial que uma cena pode transmitir sem o uso de tanta narrativa.
Chegou a estas idéias após estudar o teatro oriental, defendia as idéias de que o teatro não deveria ser uma sombra da realidade, mas a realidade em si, a palavra é apenas um reflexo do texto ela limita o teatro como expressão dos sentimentos e da beleza que estão no inconsciente.
O Duplo é o outro fundamento que define o teatro como algo mais que uma simples interpretação, mas como um espaço ritualístico de outra realidade onde se pode chegar a atingir os limites dos sentimentos bons e ruins do ser humano.

É a modificação da LINGUAGEM teatral, o ator se apresenta como que um elemento da cena, a cenografia usa de cores desenhos e luzes para conseguir um envolvimento com a platéia a ponto de tudo se interagir como um espetáculo só.
Deu uma nova dimensão para os conceitos: obra-prima, cultura, vida, sentimento, drama, beleza e representação, todos estes conceitos para ele foram intraduzíveis somente uma forma metafísica de representação alcançaria algo próximo destes conceitos.
Ele definiu a idéia de preferência das massas com legítima por que nestas interpretações o mistério sempre está subtendido e é neste momento que o espectador define o ápice do seu sentimento em relação à encenação, por exemplo: quando um ator mostra através não somente do texto o seu sentimento a platéia sente a verdade do que está acontecendo, por isso um circo com o perigo do ator se machucar é tão apreciado pelas massas, por que ele diz e realmente está sendo verdadeiro, ele está acontecendo no tempo e no espaço diante dos espectadores, não se trata apenas de um texto representado de uma obra dita como prima, mas da realidade do ritual acontecendo.
Artaud tinha uma vida mental agitada, sempre esteve com o seu consciente e o seu inconsciente em conflito, mas conseguiu dar uma nova estética ao teatro, repensou tudo de uma forma corajosa e deixou marcas profundas na forma dos artistas entenderem a interpretação teatral.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Jeromão - estátua Parque do Peão Barretos


Arte Pública em Barretos.

Escultura: Estátua em homenagem ao peão de boiadeiro - Jeromão.

Esta escultura encontra-se no Parque do Peão, local onde se realiza a festa do Peão de Boiadeiro uma vez por ano no mês de agosto, é um local considerado público por que existe alguns dias em que a entrada no parque é gratuita, podendo assim toda a comunidade apreciar a estátua.

Trata-se de uma representação do peão de boiadeiro no momento em que ele está indo para arriar o cavalo para a montaria, ele aparece na escultura carregando a sela e os apetrechos comuns à montaria.

Ela possui um apelido muito popular: Jeromão, uma alusão ao então presidente do clube Os Independentes Jerônimo Muzetti o Jerominho.

É uma obra que provoca no espectador uma identificação muito forte que se liga ao sentido primitivo onde o homem deve lutar e derrotar o animal, o momento em que o artista reproduz o peão é aquele em que o peão está somente alguns minutos da disputa e apresenta em seu semblante coragem e determinação de enfrentar o grande animal.

Exteriormente a feitura é o mais próximo do real possível, dá para ver a anatomia perfeita das mãos, o xadrez da roupa, o chapéu, etc., esta obra é de um enorme realismo, nos remetendo a estatuária grega como representação de um semi-deus e a sua arena.

Ela possui algumas peculariedades como: o material usado foi um poliéster desenvolvido pelo artista que não existe no mercado, ele fez em seu ateliê experimentações para chegar até este material, à intenção foi a de desenvolver algo que pudesse ser parecido com o bronze e o mármore, esta resina é sustentada por uma estrutura de ferro que foi calculada por engenheiros para não cair devido ao vento e chuva.

Localização: Ela está no local mais alto do parque para que a sua presença seja notada até por quem passa na rodovia.

Tamanho: É uma estrutura de 27 metros acima da fundação, equivale a um prédio de dez andares, é do mesmo tamanho do Cristo Redentor sem contar com a base, é a maior estátua de um peão no mundo, pesa 210 toneladas no total entre a fundação e o peão.

O feitio: Ela foi feita em 8 partes, o ateliê foi dentro do parque e cada parte foi colocada com a utilização de um guindaste

Autor: Valter Corsino, ele foi o idealizador e o pesquisador do material.

É um monumento público que impressiona pela sua beleza e força, ao observar o Jeromão, confundem se as idéias: O parque é da estátua ou a estátua é do parque, a obra suplantou a idéia inicial de marketing e se tornou uma ilimitada manifestação artística, representando a figura mais marcante e popular da nossa região: O nosso Peão de Boiadeiro.

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