O Quarto Poder e Além do Cidadão Kane
Denise Corrêa
O filme O Quarto Poder, nos mostra que além dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, outro quarto poder existe na informalidade, mas com um poder extremamente abrangente, é o poder da informação, das imagens, da tela, da máquina e principalmente da manipulação de interesses.
A primeira tomada é genial e resume com apenas algumas tomadas o poder que está por de trás de uma filmadora: A cena se inicia com a repórter montando uma filmadora para ir trabalhar, mas a sequência desta montagem mais parece a montagem de uma metralhadora na mão de um terrorista, somente depois de montada é que você terá a noção de que se trata de uma filmadora e não de uma metralhadora. Estas tomadas são a grande idéia do filme por que apesar de ser uma filmadora ela irá fazer o papel de uma metralhadora durante a trama.
Um repórter (Max) pra lá de sensacionalista participa por acaso de um episódio onde Sam um homem desesperado por ter perdido o emprego atira por acidente no seu ex- colega de trabalho, Max direciona tudo como se fosse um seqüestro premeditado e coloca a cena como se fosse uma representação teatral, na verdade ele está em busca de uma popularidade que já perdeu na mídia, vê neste possível seqüestro a sua volta triunfante nos meios televisivos.
Sam por sua vez é uma pessoa limitada na sua percepção e o fato de ter perdido o emprego o deixou sem estrutura para discernir o que estava acontecendo e se submete as ordens de Max ainda na ilusão de obter o emprego de volta.
Com o decorrer da tensão a situação se torna sem controle, Max não sabe o que fazer com o monstro que criou e também, os seus colegas repórteres começam a invadir a sua “conquista” e tudo começa a se quebrar, Sam que está sem dormir por que toma pílulas está visivelmente sem controle da sua realidade ele não sabe mais o que realmente quer e o que o mundo pensa dele, cada vez que assiste a TV o público se mostra de uma forma, às vezes simpatizando e às vezes odiando o que ele fez.
Os interesses da Emissora é que a reportagem dê ibope não existe uma preocupação de saber até que ponto a interferência das gravações ao vivo são reais, elas são modificadas para que os repórteres tenham projeção, é o grande filão da emissora. O povo acompanha como se fosse uma telenovela, vão para frente do museu e acampam todos querendo fazer parte da história, todos querendo notoriedade, todos querendo aparecer a qualquer custo através de depoimentos, etc.
A mídia foi praticamente responsável por atribuir papéis ao Max e ao Sam, no final parece que tudo que sobrou deles foi nada, o drama pessoal de cada um se mistura com as imagens e torna tudo muito intenso, mas passageiro.
A morte de Sam é prevista pelo espectador desde o início, a força de O Quarto Poder é tão grande que Sam já está estilhaçado mesmo antes da dinamite, a morte final nada mais é do que a concretização do que a mídia já havia feito e queria que este fim fosse concretizado para que assim a sua “novela” tivesse o final programado dando a emissora credibilidade.
Quando Max grita para todos: nós matamos Sam, ele só é compreendido para ele (Max) e para nós que assistimos a trama, as pessoas que estão lá estão acreditando na versão da TV, Max também é estilhaçado neste raro momento de lucidez.
Existem no nosso dia a dia vários Maxs e vários Sans, a nossa grande tarefa como telespectadores é a de procurarmos sempre apesar de na ser fácil discernir o que nos é passado pela mídia principalmente a televisiva, por que ela trabalha co elementos que seduzem muito, o som, o jogo de imagens e as falas do ditos repórteres confiáveis, é muito comum se ver pessoas que são consideradas ídolos morrerem muito cedo meio que sem explicação, estes artistas morrem cedo por que não conseguem se livrar do poder do mito que a mídia lhe impôs, Michael Jacson que é um exemplo mais recente abusou dos remédios como se o seu corpo de semi-deus que a mídia proclamou estivesse acima destas coisas do meros mortais, não foi diferente com Elvis, Elis Regina, Garrincha, etc. Poucos como Edson Arantes do Nascimento souberam diferenciar o homem do personagem Pelé.
Este filme é a mídia do cinema mostrando o lado B desta mesma mídia, é acima de tudo uma autocrítica que ao mesmo tempo apresenta uma estória de si mesma veiculada por um filme, este filme estaria redimindo o poder de ser das imagens mostrando ao espectador que se pode dentro da mídia ser uma critico da mídia.
Além do cidadão Kane:
Este documentário feito por americanos faz como no O Quarto Poder, é uma demonstração de que tudo que se vê parece, mas pode não ser. A TV Globo é colocada como a emissora que o filme mostra, com interesse principalmente de sobrevivência dentro do Brasil, por isso ela se tornou excessivamente governista, ou seja, sem partido político, o seu partido é o da situação.
Esta situação governista começa desde a pré candidatura de um político, a TV Globo já desde o início das campanhas das eleições procura direcionar para qual candidato seria melhor uma vitória, e também teve influência na derrubada de Fernando Collor, mostrando assim que a “arma” TV é poderosa tanto para construir como para destruir.
Este documentário já tem mais de dez anos e a TV Globo ainda continua no poder televisivo do Brasil, ainda é governista e ainda é a que tem mais audiência, diversificou a sua programação, mas no fundo a sua sobrevivência esta em continuar sendo governista.
Este bastidor nos demonstra que este Quarto Poder na prática e informalmente está acima dos outros três, fazendo julgamentos, leis, e principalmente executando as ações que somente lhe dão privilégios.
domingo, 23 de agosto de 2009
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