O sub-tema “organismo vivo”, trata-se da fusão da orquestra e do público perante a música, estão presentes o repertório, os intérpretes e os ouvintes.
Existem basicamente duas linhas de atuação da ORQUESTRA, uma é a atitude de ir até um público determinado, e a outra atitude é a de convidar o público para vir até a ORQUESTRA, em ambas as situações a ORQUESTRA continua com o dever de ser um “organismo vivo”.
Trocando em miúdos, quando a ORQUESTRA vai ao público:
O PÚBLICO DAS ESCOLAS:
É um público cheio de energia e curioso, eles gostam de músicas fortes onde o ritmo aparece bem marcado, se impressionam muito com o naipe de percussão, observam os músicos nos mínimos detalhes, gostam de pegar os instrumentos e nos tratam como se fossemos artistas da TV, todos nós neste dia nos sentimos como celebridades. A ORQUESTRA tem neste público altamente pulsante além da apresentação musical, uma oportunidade para fazer um concerto informativo onde são mostrados os instrumentos musicais e feitos comentários sobre as músicas e os seus compositores, nestas apresentações a dinâmica do entretenimento e dos esclarecimentos é breve para não dispersar os ouvintes, não nos esqueçamos de que a música por si só representa e diz muito.
O público infantil contagia-se com a música de imediato, determinadas passagens musicais como a abertura da Ópera Carmem, faz as crianças baterem palmas com euforia, demonstrando que se sabendo escolher o repertório ele pode variar desde o simples até o complexo.
O grande “organismo” acontece no sentido da descoberta e da admiração de quem está vendo pela 1ª vez um instrumento musical emitir uma música, saímos destas apresentações remoçados, é uma boa oportunidade para convidar estes jovens ao estudo de algum instrumento musical.
O PÚBLICO DOS HOSPITAIS:
É um público altamente introspectivo, a música é sentida em cada detalhe, a situação pessoal de saúde torna estes ouvintes pessoas que através do som, se transportam para situações do passado de onde trazem boas recordações, não são curiosos a respeito dos instrumentos ou autores das músicas, estão muito compenetrados na música em si, talvez sejam estes os nossos maiores ouvintes (na concepção exata da palavra).
O repertório mais apreciado é o do nosso cancioneiro popular, aquelas canções românticas que geralmente vem acompanhada da letra, é muito comum pessoas com dificuldades saírem de seus leitos para irem ver a orquestra de perto.
Para nós músicos o retorno destas apresentações é bastante subjetivo, nos comovemos com olhares e agradecimentos que notoriamente saem do fundo do coração destas pessoas, cada música tocada tem um valor extremamente grande e aquele momento da nossa presença é único e especial. É o grande “organismo” mostrando vida para quem só está vislumbrando muitas vezes a morte dentro da rotina de um hospital. Não podemos nos esquecer do grande envolvimento que os funcionários do hospital demonstram também tem em tudo isto, eles são os grandes incentivadores e ouvintes que estão sempre nos convidando para apresentações.
O PÚBLICO IDOSO:
Quando vamos a estes locais somos recebidos como um membro da família, temos a sensação de que estamos na sala da casa da nossa avó ou mãe, o tratamento é extremamente carinhoso, nos é servido café, suco, bolo e muito bate papo.
Estes ouvintes estão abertos a qualquer tipo de música, dá para sentir no ar uma confiança de que o concerto será ótimo de qualquer forma, procuramos escolher um repertório que tem algumas peças eruditas curtas, mas a maioria seguindo a linha popular de canções brasileiras e de temas de filmes famosos. Tudo vira uma apoteose, com direito a dança e comentários dos ouvintes entre uma música e outra. A ORQUESTRA se apresenta como um “organismo vivo” onde a nossa simples presença já está valorizando o sentido de vida destas pessoas que às vezes estão muito só nas suas casas e tem este espaço para dar luz a sua extensa vida, são homenagens as pessoas que tem muito para nos contar. Em um concerto tivemos o prazer de conhecer um senhor de 105 anos que muito se emocionou com a nossa música, a auto-estima de todos neste dia notoriamente engrandece.
Quando o público vai até a ORQUESTRA:
As situações básicas são: Concerto de datas comemorativas como dia das mães, namorados, natal e participação em eventos públicos ou privados.
Nestes tipos de concerto o repertório é escolhido de acordo com a temática do evento, a ORQUESTRA tem o dever de abrilhantar e dar glamour ao evento. No natal, por exemplo, as músicas sacras são mescladas com as eruditas e populares para que a apresentação se torne um encerramento grandioso feito poucos dias antes do natal, não esquecendo que se trata de um público heterogêneo e rotativo que está presente na praça. Quando for a participação da ORQUESTRA dentro de algum outro evento, a idéia é a de amarrar a temática do evento ao repertório escolhido de forma que o todo não fique fragmentado, um exemplo: Quando apresentamos músicas que falavam do Rio Grande já que o evento era direcionado para a questão da poluição do Rio, foi um sucesso a orquestra mostrou o lado emotivo da relação do homem com as delícias do Rio, dando um sentido aos textos que foram comentados.
O CONCERTO OFICIAL:
É concerto onde o repertório erudito estará mais evidenciado do que o popular, o público estará informado pela imprensa sobre o repertório, este é o momento onde a ORQUESTRA apresentará um repertório com uma identidade nacional e internacional em repertório sinfônico, seria a forma de levar ao público uma atualização da música erudita que está acontecendo no momento no mundo, seria o “organismo” além do regionalismo, transportando as pessoas para as emoções dos grandes compositores da música mundialmente conhecida.
CONCERTOS NA REGIÃO DE BARRETOS:
Aqui na região de Barretos a nossa ORQUESTRA é a única que tem todas as condições para levar para as cidades próximas ou até nem tão próximas, uma música de boa qualidade, as orquestras dos grandes centros não incluem em suas agendas estes tipos de eventos em cidades de pequeno ou médio porte temos, portanto um público a nossa espera em toda esta nossa região, poderemos levar o nome de Barretos positivamente para todas elas através da ORQUESTRA.
Em todos os concertos que fizemos fora de Barretos fomos muito bem recebidos, o público destas cidades estão sempre aguardando o nosso retorno, é o “organismo vivo” ampliando as fronteiras do município.
CONCLUSÃO FINAL:
Devemos nos orgulhar de termos em Barretos uma ORQUESTRA, ela atua e pode estender muito mais a sua atuação, vamos levar em consideração que no mundo atual estão acontecendo movimentos para se dinamizar as orquestras, muitos dos dirigentes estão percebendo que esta instituição é um importante veículo de emoções, idéias e atitudes que faz através da música o engrandecimento da pessoa e da sua coletividade (diferenciando-se da música difundida pela tecnologia eletrônica), transformando-se assim como foi dito em um “organismo vivo” necessário a todos.
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